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Small caps: análise técnica lista sete papéis com alto potencial de valorização

22 de outubro de 2008

Small caps: análise técnica lista sete papéis com alto potencial de valorização

Por: Rafael de Souza Ribeiro
21/10/08 - 16h35
InfoMoney

SÃO PAULO - Em meio à alta volatilidade do mercado nos últimos meses e a busca por ativos mais liquidos para investir, as ações consideradas small caps perderam espaço no mercado e nas carteiras dos investidores.

Antes em evidência nas recomendações das principais corretoras, as pequenas deram lugar aos portfólios mais defensivos, focados em empresas com alto dividend yield (relação entre os proventos pagos por uma empresa e a cotação de suas ações) e liquidez.

Apesar dos empecilhos, as constantes oscilações do mercado acionário brasileiro presumem oportunidades de lucro no curto prazo. Neste sentido, Vinícius Vereza, analista técnico da Dojistar Four Gráficos, e Eduardo Lang, instrutor da Uniinvest, garimparam entre as small caps listadas na Bovespa sete papéis com boas oportunidades de ganhos, amparados pelo instrumental de análise técnica.

ABnote
Apesar de ainda ter uma boa pressão de venda nos gráficos de periodicidade mais longa, os papéis ordinários (ABNB3), na visão de Vereza, podem propiciar uma boa rentabilidade no curto prazo.

Com um fundo armado em R$ 10,80, as ações podem engatar um movimento consistente de alta com a manutenção deste suporte, com vista à faixa entre R$ 13,00 e R$ 15,00.

Confab
Na caça de empresas com boa posição de caixa, o investidor pode encontrar na Confab (CNFB4) o atributo almejado, destaca o instrutor da Uniinvest. Além de um caixa maior que a dívida, os contratos firmados com a Petrobras para o fornecimento de tubos para os gasodutos ganham destaque especial na análise de Lang, somados ao status de boa pagadora de dividendos.

No que tange à análise técnica, os papéis preferenciais da empresa respeitaram o suporte semanal em R$ 4,10, ao passo que encontram agora resistência na casa de R$ 5,50.

Gafisa
Ao testar a base inferior do canal de baixa, os papéis ordinários (GFSA3) da incorporadora engataram um movimento em W no gráfico diário, ressalta Vereza, que classifica o rompimento dos R$ 18,20 como uma boa oportunidade de entrada, com resistência imediata em R$ 21,65 e possibilidade de estender o movimento até os R$ 24,40.

Entretanto, a perda dos R$ 13,20 coloca pressão de venda nas ações, com próximo suporte em R$ 12,10 e R$ 11,00.

Marcopolo
Sendo a principal recomendação da Uniinvest, as ações preferenciais da Marcopolo (POMO4) misturam bons fundamentos e uma posição gráfica privilegiada. No âmbito da análise fundamentalista, destaque para relação lucro x dólar e os preços das commodities.

Como exporta bens manufaturados, a empresa tende se beneficiar muito com a cotação elevada do dólar e a retração do preço do aço, sua principal matéria-prima. Graficamente, o suporte na casa dos R$ 4,00 pode ser um bom ponto de entrada, enquanto as resistências mais significativas seguem entre R$ 4,96 e R$ 5,80.

Minerva
Para o analista da Doji, o rompimento dos R$ 2,95 por parte dos papéis (BEEF3) deverá confirmar o padrão de fundo no gráfico semanal e abrirá espaço para a ação subir até os R$ 3,90, com probabilidade de alcançar os R$ 6,15. Apesar disso, vale atenção especial para o stop na casa dos R$ 2,00.

PDG Realty
Após cumprir o objetivo de queda no gráfico semanal, o Doji - candlestick de reversão - no fundo do gráfico semanal pode garantir a manutenção do papel (PDGR3) em R$ 7,60, revela Vereza. Sustentando-se acima deste patamar, o papel encontra resistência na casa dos R$ 11,00, com possibilidade de alcançar os R$ 14,00.

SLC Agrícola
Um bom ponto de entrada, segundo Vereza, encontra-se acima dos R$ 13,80, com potencial de valorização até a área entre R$ 18,30 e R$ 20,00. Antes disso, o papel (SLCE3) pode dar uma corrigida, sendo os R$ 10,50 o ponto que definirá a tendência no curto prazo.

Abaixo desta região, o analista prevê a retomada do movimento de queda, com suporte intermediário em R$ 8,00 e o principal na casa dos R$ 6,00.

A HISTÓRIA DO JOHN: A CRISE AMERICANA DE FORMA DIDÁTICA

16 de outubro de 2008

John comprou uma casa, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares,
financiada em 30 anos.
Em 2006 a casa do John tinha valorizado e estava valendo 1,1 milhão de
dólares, uma fantástica valorização.
Mesmo ainda faltando 20 anos para quitar a casa, um banco perguntou pro
John se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, ou
seja, uma segunda hipoteca.
Ele aceitou o empréstimo, fez a nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.
John não precisava do dinheiro, tinha um emprego estável , morava numa
simpática casa no subúrbio de uma grande cidade, mas como todo americano,
não podia escutar a palavra crédito.

Com os 800.000 dólares e ainda sem saber o que fazer com esse dinheiro,
John soube por um amigo que o mercado imobiliário continuava valorizando.

Era construir, anunciar, vender e lucrar. Um ótimo negócio e, como disseram
pro John, não havia riscos.
John comprou 3 casas em construção, na parte mais nobre da cidade, dando
como entrada 300.000 dólares e imediatamente fez mais 3 hipotecas, uma pra
cada casa.

Porém no acordo feito, o valor recebido pelas 3 hipotecas era pequeno, o
suficiente para terminar a construção das casas.

A diferença, 500.000 dólares, que John recebeu do banco, ele gastou:
comprou carro novo (alemão) pra ele. Deu um carro (japonês) para cada
filho.

E com o resto do dinheiro comprou 8 TVs de plasma de 600 polegadas cada uma
(coreanas), 8 notebooks(chineses), uma jacuzzi de 30.000 dólares
(vietnamita, fabricada com trabalho escravo infantil).

E um lindo ponney (mexicano) para sua filha caçula, financiado em 25 anos
(o companheiro ponney irá para o céu dos ponneys e o John ainda estará
pagando as prestações).

Alem de realizar seu grande sonho de viagem, ir a Paris, ficando hospedado
no Ritz pagando 600 euros a diária. (Mesmo estando na cidade com alguns dos
melhores restaurantes do mundo e com grana, emprestada, no bolso, John não
abria mão do seu hambúrguer no jantar)

Tudo comprado em longas prestações, com entradas bem pequenas, tudo a
crédito.
Uma farra.
A esposa do John, sentindo-se rica, sentou o dedo nos seus 28 cartões de
crédito.
Aproveitou para fazer algumas cirurgias plásticas, pra ser exato 18.
Seus seios ficaram lindos, os 3.
John era o sonho americano em forma de pessoa.
O tempo passou, o tempo, esse malvado, sempre passa!!
No começo de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis
estavam caindo.
As casas que o John tinha comprado e estavam em fase final de construção
caíram vertiginosamente de preço e não tinham liquidez.
O negócio que o John tinha se metido era… refinanciar a própria casa,
usar o dinheiro para comprar outras casas em começo de construção e
revendê-las com lucro repassando as hipotecas.
Fácil. Parecia fácil. Sempre parece fácil.

Só havia um probleminha com o negócio do John.
Todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo.

As taxas de juro das hipotecas que o John pagava começaram a subir (as
taxas eram pós- fixadas) e o John percebeu que seu investimento em imóveis
se transformara num desastre.
Milhões tiveram a mesma idéia do John.

Tinha casa pra vender como nunca.

John foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3
casas que ele comprou para revender, mais as prestações dos carros, dos
notebooks, das tv de plasma, da jacuzzi milionária, do ponney e dos cartão
de créditos.

Aí as casas que o John comprou para revender ficaram prontas e ele tinha
que pagar uma grande parcela.
Só que o John tinha gasto o dinheiro.

No momento da parcela maior, John achava que já teria revendido as 3 casas.

Mas os compradores tinham desaparecido.

John se danou.

Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3
casas que ele havia comprado como investimento.

John começou a não pagar suas milhares de contas.

Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais ao John.

E também das milhões de pessoas que compraram essas casas dos que tiveram a
idéia antes do John.

John optou pela sobrevivência da família.

John entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo
tudo que tinha investido.

John quebrou.

Ele e sua família pararam de consumir. Um sem número de Johns deixaram de
pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos
imóveis.

Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Johns em títulos
negociáveis.

Com a inadimplência dos Johns, esses títulos passaram a valer pó.
Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam
disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas
também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram
feitos baseados num preço que esses imóveis não valiam mais.

Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava. A
inadimplência dos milhões de Johns atingiu fortemente os bancos americanos
e europeus que perderam centenas de bilhões de dólares.

A farra do crédito fácil acabou.

Com a inadimplência dos milhões de Johns, os bancos pararam deemprestar por
medo de não receber. Os Johns pararam de consumir porque não tinham
crédito.

Mesmo quem não devia dinheiro, não conseguia crédito nos bancos e quem
tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo dos Johns de perder o
emprego fez a economia travar.

Recessão é sentimento, é medo do futuro.

Mesmo quem pode, pára de consumir.

O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de
juros e as taxas de empréstimos interbancários. O FED também começou a
injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez.

O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução
de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo.
Porém, ainda não se sabe o resultado prático dessas medidas na economia
real.

Essas ações foram corretas e, até agora, não é possível afirmar que os EUA
estão tecnicamente em recessão. O FED trabalhava. O mercado ficava atento e
as famílias esperançosas.

ATÉ QUE O IMPENSÁVEL ACONTECEU!!!

O pior pesadelo para uma economia: crise bancária, correntistas correndo
para sacar suas economias, boataria geral, pânico.
Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu quebrado,
insolvente.
O FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan
Chase, para que o banco não quebrasse.
Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan .
Mais recentemente as financiadoras de hipoteca FREDDIE MAC e FANNIE
MAE também se viram em situação de quase insolvência.
Rapidamente o congresso aprovou um plano de ajuda às duas empresas.
Se elas quebrassem, teríamos um efeito cascata e o sistema desmoronaria.
O mercado e as pessoas seguem sem saber o que esperar.
O que começou com o John, hoje afeta o mundo inteiro.
A coisa pode estar apenas começando.
Só o tempo poderá dizer o que vai acontecer.
E o John e sua família? Você deve estar se perguntando.
John devolveu todos os bens para as financeiras.
E ainda ficou devendo um dinheirão.
Mas o que ele mais queria devolver, ele não conseguiu.
As plásticas da esposa, essas não tiveram jeito.

Fonte: http://www.entouragetrading.blogspot.com/

O Que Fazer nesta Crise?

15 de outubro de 2008

Toda crise tem sete fases.

Fase 1. Não há problema na economia, diz a autoridade econômica, é tudo boato.
Fase 2. Sim, temos um problema mas tudo está sob controle.
Fase 3. O problema é grave mas medidas corretivas já foram tomadas.
Fase 4. O problema é muito grave mas as medidas emergenciais surtirão efeito.
Fase 5. Pânico geral e salve-se quem puder.
Fase 6. Comissões de inquérito e caça aos culpados.
Fase 7. Identificação e prisão dos inocentes.

Os Estados Unidos e a Europa estão na fase 5. Brasil, China e Índia estão na Fase 3. Precisamos nos proteger contra a possibilidade de chegarmos na Fase 5, quando basta um entrevistado na televisão afirmar “que esta crise é igual ou pior que a de 1929”, como vários já falaram, ou escrever no jornal “as conseqüências da crise chegaram definitivamente no Brasil”, como já foi publicado, e gerar pânico por aqui.

Não, a crise ainda não chegou no Brasil, ainda estamos na Fase 3 e mesmo se crescermos 0% este ano, o que ninguém prevê, toda empresa irá vender a mesma coisa no ano que vem. Sua promoção pode estar em risco mas não o seu emprego.

Ademais esta crise nada tem a ver, nem terá, com a severidade da crise de 1929, quando 25% dos trabalhadores perderam seus empregos e que durou até 1940 com 14%. Na pior das hipóteses, o desemprego nos Estados Unidos aumentará 3%, mesmo assim só por 24 meses.

Se tivessem líderes administrativos socialmente responsáveis, eles já teriam ido a público garantir que manteriam o nível de emprego de suas empresas nos próximos 12 meses. Hoje custa mais para se treinar um novo funcionário do que para mantê-lo fazendo algo por 12 meses.

Depois que Alan Greenspan e Nouriel Roubini saíram dizendo que a crise era igual à de 1929, todos os americanos pararam de gastar, aumentando sua poupança e prevendo o pior. Ninguém sabe quem serão os 25% de desempregados. Quando 100% dos consumidores param de gastar por um único mês, cria-se uma espiral recessiva imprevisível. Outra alternativa seria alertar os 3% que talvez sejam demitidos para economizar, para que os 97% possam manter normalmente suas compras evitando a espiral recessiva.

Na crise de 1929, 4.000 bancos quebraram, e a mera referência a 1929 como fizeram Greenspan e Roubini, leva pessoas leigas a correr para os bancos, o que aconteceu agora na Europa.

A imprensa perdeu a capacidade de filtrar e processar informação premida pelo tempo exíguo para colocar tudo na internet. Publicam o que vier, especialmente se for notícia ruim.

Nenhum banco comercial irá quebrar, nenhum ainda quebrou nos EEUU, e mesmo se forem um ou dois, nada se compara com 4.000. Bancos sempre quebram mas ninguém percebe. Mesmo se quebrarem, o seu dinheiro, ao contrário de 1929, está no fundo DI e não no Banco. O Fundo DI está no SEU NOME e dos demais cotistas, e se um banco brasileiro quebrar, o que não vai acontecer, seu dinheiro está salvo. No máximo você terá de esperar uma semana para a troca de administrador do seu fundo. O dinheiro está aplicado em títulos do tesouro em SEU NOME, não do Banco.

Deixar o dinheiro onde está é o mais seguro. Se você resgatar o seu fundo DI, o dinheiro cai na sua conta, e se o banco quebrar justo neste dia, você vira um credor do banco. Nossos bancos estão recebendo depósitos dos apavorados estrangeiros. Muita gente em pânico está saldando suas cotas em fundos de ações e o seu gestor é OBRIGADO a vender uma ação mesmo com ela caindo 20% no dia, algo que você jamais faria.

Acionistas majoritários não estão em pânico, nem podem nem querem vender suas ações. Só os minoritários se sentem uns idiotas porque não venderam na “alta”.

Não temos bancos de investimento no Brasil. De fato, Roberto Campos implantou neste país este mesmo modelo americano que está ruindo, mas felizmente foi uma lei que “não pegou”. Problema a menos.

Só temos bancos comerciais, e estes são muito bem controlados pelo Banco Central. Além do mais, nossos bancos têm dono, e por isto estão pouco alavancados, 4 a 5 vezes, contra 20 a 25 vezes dos bancos de investimentos americanos.

O Brasil não está alavancado. Nossos créditos diretos ao consumidor não passam de 36% do PIB, e devem crescer para 40% no ano que vem. Os Estados Unidos estão alavancados em 160% do PIB e é esta desalavancagem súbita que está causando problemas.

Nosso Banco Central, adotou o que venho alertando há anos a países e famílias - a política de ter reservas para os dias de crise e hoje temos US$ 200 bilhões. Pela primeira vez o Brasil tem reservas para sustentar uma crise duradoura, sem ter que se endividar para cobrir furos de caixa.

Temos um sistema financeiro dos mais modernos e rápidos do mundo implantado devido à inflação galopante dos anos 90. Nos Estados Unidos demora-se duas semanas para se descontar um cheque entre bancos, por isto o sistema travou. Nenhum banco confia em outro banco numa crise destas.

Esta é a hora para disseminar a nossa força, as nossas reservas, a competência de Henrique Meirelles, primeiro administrador financeiro (Coppead) a comandar o nosso Banco Central, e já se nota a diferença. Está na hora de mostrarmos ao mundo que como a China e Índia, nós vamos crescer via mercado interno, com produtos populares, tese que há anos venho defendendo.

Esta é a hora de mostrar o que DÁ CERTO no Brasil em vez de conseguir fama no rádio e na televisão mostrando o que poderia dar errado.

Lembre-se que os verdadeiros culpados já estão se movimentando para culpar os inocentes, e assim saírem incólumes e mais poderosos.

Stephen Kanitz

O warren buffett do bom retiro

10 de outubro de 2008

Mu Hak You

Mu Hak You, fundador da gestora de recursos GWI, de São Paulo
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Por Giuliana Napolitano

Ilustração Roberto Weigand

Fonte: Revista Exame
| 04.09.2008

Ele começou com uma factoring para atender a comunidade coreana de São Paulo. Dez anos depois, Mu Hak You desponta como um dos destaques do mercado financeiro

EXAME Antes de ser considerado um dos investidores mais brilhantes de todos os tempos, o americano Warren Buffett, o homem mais rico do mundo, era mais conhecido por suas excentricidades. Sempre fez questão de manter a sede de sua empresa, a Berkshire Hathaway, na pequena cidade de Omaha, distante quase 2 000 quilômetros de Wall Street. Buffett justificava a decisão dizendo que a boataria que tipicamente circula pelos corredores de bancos e corretoras atrapalha decisões racionais de investimento. Um histórico de mais de 50 anos de desempenhos positivos fez o estilo de Buffett ser reverenciado — e largamente copiado. No Brasil, um de seus seguidores mais bem- sucedidos também tem um perfil pouco comum para o mundo das finanças. Seu nome é Mu Hak You e pouca gente fora de seu setor ou da comunidade coreana, a qual ele pertence, já o viu ou ouviu falar dele. (Mu Hak não dá entrevistas e se recusa a ser fotografado. O retrato desta reportagem foi feito de uma imagem pessoal e recente.) Sua gestora de recursos, a GWI, foi criada em 1995 como uma modesta empresa de factoring no Bom Retiro — bairro do centro paulistano famoso por suas confecções de baixo custo, mas sem nenhuma tradição financeira, apesar do dinheiro que lá circula. O Bom Retiro dos coreanos pareceu ser o mercado ideal para Mu Hak começar seu negócio. A idéia era administrar e multiplicar a fortuna de patrícios quase sempre tão reclusos e desconfiados quanto ele. Longe dos holofotes e de grandes investidores institucionais, em cerca de uma década Mu Hak transformou sua empresa de factoring numa gestora e, nos últimos três anos, despontou como um dos destaques do setor. Seu principal fundo de ações, o GWI FIA, rendeu 446% de julho de 2005 a julho de 2008, o melhor desempenho da categoria de acordo com um levantamento do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas.

A admiração de Mu Hak por Buffett é explícita. Em 2007, ele tentou, sem sucesso, negociar a vinda do investidor americano ao Brasil para fazer uma palestra a aplicadores do mercado financeiro. Embora Mu Hak se recuse a falar com a imprensa, o site da GWI deixa claro que sua estratégia tem vários pontos em comum com a de Buffett. Enquanto o americano ensina que “o prazo ideal para aplicar numa ação é para sempre”, Mu Hak diz que investe no longo prazo porque sabe que o valor da empresa é reconhecido com o passar do tempo. Como Buffett, o coreano realiza um minucioso trabalho de pesquisa para identificar empresas com boas perspectivas de crescimento e lucratividade, mas que estão subavaliadas na bolsa. Depois, compra uma grande quantidade de suas ações e fica com elas até que se valorizem.

Além de colocar os fundos da GWI no topo da lista dos mais rentáveis do mercado, essa estratégia levou Mu Hak a realizar algumas façanhas. A mais impressionante foi ter se tornado o maior acionista individual da Lojas Americanas. O coreano passou a comprar ações da empresa em meados da década de 90, com uma indenização que recebeu após ser demitido de uma diretoria do extinto banco Nacional. Nessa época, ele enfrentava uma situação profissional complicada. Nascido na Coréia do Sul e vivendo no Brasil desde a adolescência, Mu Hak tinha ocupado cargos de alto escalão em instituições financeiras — chegou à vice-presidência de finanças corporativas do Citi em Belo Horizonte —, mas não encontrava um novo emprego. Aos amigos, dizia que iria criar um negócio próprio e achar seu espaço. O negócio era a GWI, e ele enxergava na Lojas Americanas uma chance de multiplicar o capital da nova empresa. Na época, uma ação da varejista custava menos de 50 centavos. Silenciosamente, Mu Hak passou a comprar cada vez mais ações à medida que elas se valorizavam e, com isso, acumulou 13,5% dos papéis com direito a voto. Foi o suficiente para lhe garantir uma vaga no conselho de administração da companhia — para desgosto dos controladores Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, que passaram a ter de dividir poder com um minoritário que entrou sem ser convidado.

Mu Hak You,
fundador da gestora de recursos GWI, de São Paulo
Idade
56 anos
Histórico
Seu principal fundo de ações, o GWI FIA, foi o mais rentável de sua categoria nos últimos três anos. É o maior acionista individual da Lojas Americanas

No conselho, sua fama é a de ser um detalhista incontrolável. “Já fiz centenas de apresentações a analistas e investidores em diferentes países e nunca vi ninguém perguntar tanto quanto ele”, diz um ex-executivo da Americanas. Ele é do tipo que quer saber como funcionam os sistemas de venda da empresa, a diferença de custos e até a tecnologia envolvida na coleta online de pedidos. É assim na Americanas e na maioria das empresas em que ele investe — ou já investiu. Um exemplo é a Eternit, onde Mu Hak fez parte do conselho de administração até recentemente. Nesse caso, ele foi convidado para integrá-lo pelos donos e sua participação foi elogiada pelos colegas. “Ele participou ativamente da migração da companhia para o novo mercado”, diz Guilherme Affonso Ferreira, presidente da holding Bahema Participações e conselheiro da Eternit.

O profissional que se apresenta aos executivos dessas companhias, porém, é bem diferente do Mu Hak que dá expediente das 7 da manhã às 10 da noite no escritório da GWI, na avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. (Há quatro anos, a empresa se mudou para lá, mas manteve uma filial no Bom Retiro.) Visto como um sujeito de fácil relacionamento no meio empresarial, Mu Hak é tido como um chefe à beira da tirania. Suas ordens costumam ser dadas aos gritos. É centralizador e suas decisões mudam repentinamente. Não é o tipo de clima que atrai ou mantém talentos. O coreano começou o ano com 40 empregados e o plano era dobrar esse número até dezembro. Mas até agora dez pediram demissão e ele nem sequer conseguiu repor essas vagas. “Os empresários da comunidade coreana investem na GWI, mas não costumam deixar seus filhos trabalhar lá”, diz um ex-funcionário. Segundo pessoas próximas a ele, Mu Hak sabe do problema e vem tentando resolvê-lo. Em 2007, instituiu um generoso sistema de bônus que prevê que um quinto dos lucros da GWI seja distribuído aos funcionários. Isso rendeu cerca de 200 000 reais para um estagiário, por exemplo.

Afinal, o que Mu Hak tem de Buffett?

Confira abaixo as semelhanças e as diferenças entre o coreano e o megainvestidor
No que ele se parece com buffett Estuda a fundo as empresas em que investe
Concentra seus investimentos em setores que conhece
Pensa no longo prazo e, geralmente, mantém as ações em carteira por vários anos
Investe em um número reduzido de empresas. Confira abaixo a carteira do fundo GWI FIA(1)
Usiminas 22%
Eletropaulo 18%
Lojas Americanas 16%
Copel 12%
B2W 12%
Outras 20%
(1) Segundo o relatório de 30/4/2008 enviado à CVM
Fontes: CEF-FGV, CVM e Economática
No que é diferente do americano

Corre muito mais riscos porque faz operações arrojadas nos mercados futuros
Tem um histórico bem mais curto, de pouco mais de uma década — Buffett está no mercado há mais de 50 anos

Essa inconstância assusta as grandes instituições financeiras. Até hoje, nenhuma concordou em oferecer os fundos da GWI a seus clientes, apesar de seu desempenho excepcional. O GWI FIA não é a única estrela da gestora. O clube de investimentos, que recentemente foi transformado em fundo, rendeu 2 500% desde 1999, seis vezes mais que o Ibovespa. “Se ninguém pára lá, fica claro que a continuidade da operação depende de Mu Hak, e esse é um risco grande”, diz o sócio de uma consultoria de investimentos. Outro fator que deixa os executivos financeiros com o pé atrás são os altíssimos riscos assumidos por Mu Hak na gestão dos fundos. Ele faz pesadas operações de compra e venda de ações no mercado futuro, que comprometem mais de duas vezes o patrimônio do fundo. No jargão do mercado, isso se chama alavancagem. Na prática, significa que quem põe dinheiro nos fundos da GWI pode perder mais do que aplicou. Essa, aliás, é uma estratégia que foge dos princípios de Buffett — o americano, conhecido como o “Oráculo de Omaha”, é avesso a correr riscos e praticamente não alavanca seu portfólio.

Mais da metade do patrimônio de 1 bilhão de reais dos fundos da GWI é composta pela fortuna pessoal de Mu Hak. Cerca de 90% dos recursos restantes vêm de investidores coreanos. “Mu Hak viu a evolução dos empresários coreanos e sabia da dificuldade que muitos tinham para lidar com instituições financeiras. Enxergou, aí, uma oportunidade”, diz Rafael Byung Na, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Coréia. Conta-se que, no começo, ele andava pelas ruas do Bom Retiro e parava de loja em loja para apresentar sua empresa. Hoje, já estabelecido, Mu Hak passou a preparar sua expansão internacional. Sua intenção é oferecer fundos que apliquem em ações de empresas brasileiras para estrangeiros. Fluente em inglês, coreano e chinês, ele acaba de abrir uma filial nos Estados Unidos. Em Omaha? Não. O escritório fica em Nova York mesmo.

Manipulação na venda de ações: como e quando acontece e quem é beneficiado

8 de outubro de 2008

Por ocasião do colapso do Bear Stearns em março, alguns analistas disseram que era errado culpar as apostas arriscadas que o banco fizera em papéis lastreados em hipotecas de alto risco. Eles tinham outro culpado: operadores mal intencionados que em uma ação conjunta no mundo invertido das vendas a descoberto ganharam muito dinheiro com a derrocada das ações do Bear Stearns.

Ninguém admitia abertamente ter havido uma manipulação proposital dos preços das ações, uma vez que tal procedimento é ilegal. Contudo, Wall Street há tempos acredita que tais manipulações podem acontecer e, na verdade, acontecem de fato. Não houve, porém, um número suficiente de pesquisas acadêmicas que explicassem quais forças entraram em ação naquele momento. Agora, dois especialistas em finanças lançaram um pouco de luz sobre esse processo. “Descrevemos basicamente de forma teórica como funcionam as manipulações de ações”, diz Itay Goldstein, professor de finanças da Wharton. Em parceria com Alexander Guembel, da Saïd Business School e do Lincoln College, da Universidade de Oxford, Goldstein descreve o procedimento em um estudo intitulado “O papel da manipulação e da alocação de preços” [Manipulation and the Allocational Role of Prices].

Sua principal descoberta esclarece a inter-relação entre o valor econômico real de uma empresa e o preço de suas ações, mostrando de que maneira os operadores, ao empurrar deliberadamente para baixo o preço das ações, podem corroer a riqueza da empresa, fazendo com que o preço de suas ações caia ainda mais mergulhando-o em seguida em um ciclo vicioso.

“O que procuramos mostrar é que, com a venda das ações, produz-se um efeito na empresa”, observa Goldstein. “A ligação com o valor real da companhia é o dado novo [...] Esse é o elemento crucial.”

Goldstein e Guembel mostram que o processo funciona apenas quando a intenção é prejudicar a empresa; os operadores não têm o mesmo poder de criar um mecanismo de realimentação e ajuste que empurre os preços para cima.

O segredo do processo é a venda a descoberto, isto é, quando o operador faz um “empréstimo” de ações de uma corretora vendendo-as em seguida na esperança de pagar o empréstimo contraído com ações compradas posteriormente por preço inferior. O vendedor a descoberto lucra somente se os preços caírem — vendendo na alta e comprando na baixa. Se os preços subirem, ele será obrigado a comprar ações substitutas a preços superiores ao ganho obtido com as ações vendidas.

Uma conspiração contra o preço das ações

A associação entre o preço da ação de uma empresa e seu verdadeiro valor não é tão automático quanto muita gente pensa. As empresas vendem ações ao público para levantar fundos. Depois que as ações começam a circular, os preços tendem a subir ou a abaixar em sintonia com a maior ou menor lucratividade da empresa; entretanto, outras forças estão em progresso nesse momento — a tendência do mercado ou da indústria, o desempenho da empresa em relação a outras do mesmo segmento, além da especulação em torno da estratégia de negócios, produtos e competitividade da empresa. Tudo isso afetará seus ganhos futuros.

Às vezes, investidores entusiasmados acabarão empurrando para cima o preço das ações mesmo que não haja sinal algum de que os lucros irão aumentar. Outras vezes, a percepção do investidor pode pender para o lado negativo, empurrando para baixo o preço das ações mesmo que a empresa pareça perfeitamente saudável.

Como a relação entre o desempenho dos negócios da empresa e o preço das ações não é predeterminado, há tempos acredita-se que o destino de uma ação não tem necessariamente impacto algum sobre o valor econômico real da empresa medido por coisas como ativos e lucros.

É evidente que os especuladores podem conspirar para derrubar o preço das ações numa articulação conjunta e fulminante de venda a descoberto. Contudo, em algum momento outros operadores — impressionados com a solidez da empresa — poderão achar uma boa barganha as ações da empresa, o que aqueceria a demanda levando à estabilização e ao aumento do preço das ações. Portanto, manipular as ações não teria efeito permanente. Entretanto, se o preço em queda das ações, fruto de manipulação, prejudicar de fato economicamente a empresa, outros investidores deverão também se desfazer das ações, provocando assim um ciclo vicioso de queda e de prejuízo ao valor econômico da companhia que tornará a manipulação mais rentável.

Para saber qual cenário é mais provável, Goldstein e Guembel tomaram com exemplo uma empresa prestes a investir em um projeto cujo valor final para a empresa não pode ser determinado com precisão. Ao mesmo tempo, temos um especulador que sabe alguma coisa sobre o valor do projeto que a companhia desconhece. Ele poderá, por exemplo, ter um insight especial sobre o possível custo do capital.

Se esse insight indicar que o plano de gastos funcionará a contento, o especulador comprará ações dessa companhia e sua demanda empurrará os preços dos papéis para cima. Se o insight indicar que o plano está fadado ao fracasso, ele venderá as ações e a pouca demanda empurrará os preços para baixo. Seja com for, o insight do especulador acaba se refletindo no preço das ações.

Goldstein e Guembel acrescentam em seguida um novo elemento a essa visão tradicional de mercado: a empresa considera a mudança de preço das ações como sinal do que pensa o mercado sobre a engenhosidade do seu plano de gastos. Se o preço cair, a percepção será negativa e a empresa terá de abandonar o plano.

Até este momento, o especulador toma suas decisões de acordo com a avaliação que faz do plano de gastos. Contudo, Goldstein e Guembel dizem que o especulador que não tem nenhum insight específico do plano poderá explorar o processo no sentido de empurrar propositalmente o preço das ações para baixo.

Reduzindo o valor da empresa

Grandes transações são efetuadas por gente que comanda o mercado em Wall Street e que, em muitos casos, compra e vende usando para isso seu próprio estoque de ações. O formador de mercado cota um preço com base na avaliação que faz do mercado. O formador que executa um pedido de compra ou venda de um especulador parte do pressuposto de que o especulador tem algum insight da empresa em questão. Caso contrário, ele não tomaria atitude alguma. De modo geral, operadores bem informados contribuem para a eficiência do mercado, assegurando assim que os preços das ações reflitam de forma adequada o valor das empresas. Ao inspirar confiança nos mercados, essa eficiência tende a manter os preços elevados.

Contudo, no exemplo dos autores, o especulador que vende ações ao formador de mercado através de vendas a descoberto não tem esse insight. Portanto, sua venda reduz de fato a eficiência do mercado, ampliando as perspectivas de queda dos preços das ações e tornando a venda a descoberto rentável.

Além disso, o especulador pode fazer uma série de vendas a descoberto para reduzir o preço das ações. Ao interpretar a queda dos preços como um voto de desconfiança, a empresa abre mão do seu plano de gastos perdendo com isso o benefício que o plano traria e, como resultado, derrubando mais ainda o preço das ações.

“De modo geral, essa é uma decisão equivocada que, por si mesma, afetará negativamente o valor da empresa”, observam os autores. “Isso permite ao especulador cobrir sua posição a um custo menor e realizar lucros. Em vista da natureza dessa estratégia, nós nos referimos a ela como manipulação.”

É claro que é importante que ninguém saiba o que pretende o especulador, diz Goldstein. “Se todos no mercado souberem que um fundo de hedge em especial está tentando manipular ações, o efeito disso será nulo.” É fundamental, acrescenta, que outros participantes do mercado acreditem que o manipulador baseia suas decisões em insights, mesmo quando não for este o caso.

Para que a manipulação funcione, as variações do preço das ações têm de influenciar a decisão da empresa de seguir adiante, ou não, com seu plano de gastos. Isso é possível, contanto que sejam observadas três condições: o valor do plano de gastos não deverá ser muito alto; há uma boa dose de incerteza em relação ao resultado final do plano e, por último, a empresa espera receber um feedback importante dos mercados financeiros acerca da engenhosidade do seu plano.

“Por fim, mostramos que a manipulação é rentável somente se executada por meio de pedidos de venda”, observam Goldstein e Guembel. “Isto porque as duas fontes de lucros por trás da estratégia de manipulação [...] não podem gerar lucros com ordens de compras.” O especulador que não tem nenhum insight especial da empresa partirá do princípio que ela vale menos do que aparenta no mercado, o que lhe servirá de incentivo para vender, e não para comprar, assinalam os autores.

De igual modo, um especulador que trabalhe sem um tipo especial de conhecimento produz ineficiências que poderão levar posteriormente à queda do preço das ações. Para ter lucro com preços em queda, o especulador precisa recorrer às vendas a descoberto. Ele perderá dinheiro se comprar ações.

O segredo da manipulação de mercado é fruto da associação entre o preço das ações e o valor real da empresa, diz Goldstein. “Via de regra, as pessoas acham que os mercados financeiros não afetam as empresas, o que não é verdade.”

Autor desconhecido

Como ganhar (e perder) dinheiro na Bolsa de Valores, em 10 lições

7 de outubro de 2008

Fonte: Blog Dúvido
Desde o ano passado, quando comecei a me aventurar na Bovespa, já
ganhei algum dinheiro e perdi outro tanto, mas meu saldo é, no geral,
positivo. Obviamente, não sou nenhum Warren Buffet, mas desde minha
iniciação como investidor aprendi algumas lições que valem a pena
passar àqueles que me perguntam se é uma boa ou não entrar no
maravilhoso mundo do mercado de capitais.

Por isso, este texto se chama “como ganhar (e perder) dinheiro na
Bolsa de Valores em 10 lições”, pois aqui está reunido um pouco da
minha experiência positiva e também uma listinha de mancadas que nós,
os sardinhas da Bovespa, geralmente damos por pura inexperiência ou
inocência, para deleite dos tubarões.

Vamos às dicas:

Como ganhar dinheiro na Bolsa de Valores e ser uma sardinha feliz:

1 - Conheça a ti mesmo.

Pode parecer charlatanismo, besteira de livro de auto-ajuda, mas é a
mais pura verdade. Conhece a ti mesmo antes de te aventurar nos mares
revoltos do mercado de ações. O que isso quer dizer na prática?

Há maneiras e maneiras de jogar o jogo do mercado de capitais. Você
pode ser um investidor fundista, lucrando aqui e acolá (geralmente
com grandes partes do seu patrimônio em fundos de ações, que são
bastante seguros), pensando na aposentadoria, ou pode ser um
especulador temerário, querendo duplicar seu dinheiro em questão de
minutos em jogadas espertas e bastante arriscadas. Não vou entrar no
mérito de qual é o método “certo” de aplicar, se é melhor ser
investidor, especulador ou o que for, só vou fazer uma pergunta: você
tem o que precisa para seguir o caminho que escolheu?

Ser investidor requer paciência. Muita paciência. De um modo geral,
você não vai perder muito dinheiro, mesmo nos maus momentos. O bom
investidor enfrenta estes momentos com calma, às vezes deixa o
dinheiro lá encolhendo, porque sabe que depois da crise ele vai
voltar a crescer. Até o pessoal que perdeu milhões em ações na quebra
de 1929, se tivesse deixado o dinheiro lá na bolsa de Nova York,
estaria milionário de novo - e mais rico do que antes - em poucas
décadas. Por outro lado, eles passam anos e anos economizando,
apertando o cinto, enterrando dinheiro em investimentos sem usufruir
do lucro por um bom tempo. É isso o que você quer? Você é capaz de
esperar e viver uma vida franciscana por uma promessa de futuro
confortável?

Os especuladores, por outro lado, colocam altas somas de recursos
(que às vezes nem têm) em jogadas arriscadas. Às vezes se dão muito
mal, mas às vezes se dão muito, muito bem. Podem um dia estar
passando fome porque apostaram a poupança, o carro, a casa e a filha
de 14 anos em um negócio que virou pó completamente, e no outro
passar sorridentes com um carro importado na frente da sua casa. O
preço disso é que têm de prestar uma atenção sobre-humana nas
notícias, reagir na velocidade da luz ao menor movimento ameaçador do
mercado e - o que pode ser o pior para muito gente - perder muito,
muito dinheiro de uma vez só de tempos em tempos. Jay Gould, por
exemplo, ficou milionário diversas vezes, só para depois perder tudo
o que tinha. Você consegue ver seu dinheiro se pulverizar sem chamar
a mamãe e sair chorando dizendo que o mundo é mau?

Saiba quem você é, saiba do que você é feito, saiba se você é
impulsivo ou têm paciência, se desiste fácil, se tem sangue frio. Só
então decida que tipo de aplicação, investimento ou especulação vai
fazer. É mais fácil já iniciar em um caminho que tem a ver com você
do que tentar se adequar aos trancos a uma tática que não é feita
sobre medida para a sua personalidade.

2 - Saiba entender o que as pessoas dizem.

Sardinha que é sardinha fica fuçando em comunidades de investidores
para procurar aumentar seu conhecimento ou para, meramente,
identificar oportunidades boas de beliscar um lucrinho. Um destes
locais é o ADVFN, fórum obrigatório para quem está começando.

Pois bem. O cidadão devide que vai aplicar algum dinheiro, vai até o
ADVFN, se registra e começa a ler os tópicos. Os outros usuários
iniciam belas e sedutoras discussões do tipo “Grande oportunidade!!
ganhos de mais de 8000%”, “O Novo Trem Bala do Brasil!” “Mina de
Ouro” ou coisa parecida indicando a compra de opções da BZE2 - Bar do
Zé S/A, dizendo que é uma grande oportunidade, que a empresa vai
crescer, que tiveram acesso a uma versão rascunho de algum relatório
interno, ou o que for. O nosso investidor, então, vai na ferramenta
de recomendação e verifica que 99% dos usuários recomendam a compra,
e só 1% deles dizem que é uma furada. Sem pensar duas vezes, nosso
herói coloca toda a poupança que estava juntando para a universidade
dos filhos nas opções da BZE2 e começa a planejar qual será o iate
que vai comprar.

Trouxa. Perdeu todo o dinheiro e condenou seus filhos a ser peões-de-
obra pelo resto das suas infelizes existências, e tudo por que não
sabe interpretar o que os outros dizem.

As pessoas deste ramo falam uma liguagem clara, embora um tanto
estranha. Se 99% dos usuários de um fórum de ações recomendam a
compra de determinada ação, só há uma maneira de entender isso: 99%
dos usuários compraram grandes quantidades destes papéis, se
arrependeram amargamente e agora estão desesperados, tentando passar
a bomba adiante.

Eu não vou mentir, já caí neste truque algumas vezes quando comecei a
investir. Por exemplo, certo dia identifiquei um papel que parecia um
bom negócio, opções da JB Duarte (o que consideramos, em linguagem
técnica, “um negócio de merda”), comecei a discutir com outras
pessoas e todos me diziam entusiasmados que “compraram 60K desta
ação, e só vão vender quando o papel triplicar de valor”. Falavam no
relatório que o tio do amigo do vizinho viu, que mostrava a
recuperação da empresa, das expectativas, disto, daquilo. 90% dos
usuários recomendavam a compra. O inocente aqui foi lá, comprou um
monte (exatamente destas pessoas, garanto) e ficou com a batata
quente nas mãos. Sorte minha que, quando me dei conta e pus as opções
à venda pela metade do que paguei por elas, algum trouxa me aliviou
do peso da bomba e adquiriu os meus papéis no último minuto, o que me
fez sair com pelo menos a metade do dinheiro (isso não pode ser dito
de quem comprou de mim: a opção em seguida implodiu em um prejuízo
total para quem ficou com ela na mão).

Entenda que você não está tratando com monges budistas ou cavaleiros
em armaduras de prata, está trocando idéias com seus concorrentes,
que vão fazer de tudo para passar por cima de você. E eles podem ser
muito, muito desleais.

3 - Blue Chips.

Se você é investidor com “I” maiúsculo, com estratégias de longo
prazo, mantenha-se perto dos monstros do mercado. No nosso caso, Vale
e Petrobrás.

Converta, sempre que possível, seu FGTS em ações de Blue Chips.
Quando ocorrerem ofertas de ações com esta opção, não pense duas
vezes. Mesmo que você vá esquecer que estas ações estão com você,
elas vão valorizar muito mais navegando nos grandes navios azuis do
que em qualquer fundo murrinha do governo.

Depois das crises, compre papéis das Blue Chips. Se você é um
investidor de longo prazo, as Blue Chips são suas melhores amigas. O
ritmo como elas valorizam - e elas são lentas, mas constantes - será
o novo índice da correção do seu fundo de aposentadoria. E, acredite,
isso é muito melhor do que dólar, poupança, ouro ou qualquer outro
índice mequetrefe que mal e mal repõe a inflação.

4 - Cuidado com a falta de liquidez.

Um bom especulador compra na baixa e vende na alta. Um especulador
novato se empolga com qualquer ação na baixa, compra e depois não
consegue vender na alta - exatamente porque ninguém quer comprar na
alta.

A maior causa de sofrer o stall da alta é apostar em micos, empresas
com um volume de negócios reduzido. Não adianta nada comprar a 0,2 e
ficar pulando de alegria porque chegou a 0,5 se você não vai
conseguir vender a 0,5. Cuide para que, se você comprou ações de uma
companhia, você vai conseguir vendê-las depois. Nunca deixe de
analisar a liquidez! Aqui entra de novo o conselho anterior: se Blue
Chips têm seus papéis negociados a torto e a direito, e a Bar do Zé
S/A tem um papel vendido a cada duas semanas, qual delas é mais fácil
de vender na hora H?

Lembrem-se da máxima da economia: o preço cai na ausência de demanda.

5 - Use e abuse do stop gain e stop loss.

Isto não pode ser enfatizado demais: Use e abuse do stop gain e stop
loss. Use e abuse do stop gain e stop loss. Use e abuse do stop gain
e stop loss.

Para você que não sabe o que é isto, é bom já ir se acostumando com
(e dominando) a idéia. Stop gain e stop loss são ferramentas que a
sua corretora te oferece (se ela não te oferece, mude de corretora
já) que permitem a você configurar valores que, quando atingidos,
colocarão automaticamente seus papéis à venda.

Vamos dizer que você compre papéis da Joaquim & Manoel Sorvetes de
Bacalhau S/A, a R$ 0,50 a ação. O mercado está fervilhando, você sabe
que até o fechamento do pregão o valor vai mudar, ou, no mais tardar,
nos próximos pregões. Mas você é um cara ocupado que não pode ficar
acompanhando a bolsa minuto a minuto. O que você faz?

Simples. Configura um stop loss a R$ 0,45, para pular fora sem perder
muito caso a maré baixe, e configura um stop gain a R$ 0,60, para
garantir 10 centavos de lucro por ação caso os papéis valorizem. Você
pode até ir para a praia sossegado, sabendo que se o tempo mudar
muito você está garantido, já que estas ordens ficam ativas por
vários dias.

O risco maior é perder, caso tudo dê errado, R$ 0,05 com cada papel
(o que é pouco, comparado com R$ 0,50) ou, no caso contrário,
conviver com o arrependimento de ter vendido automaticamente a R$
0,60 quando o boom dos sorvetes de bacalhau levou o preço das ações
da companhia a R$ 2,00.

As corretoras estão oferecendo ferramentas cada vez mais avançadas
para os usuários de home broker. Algumas oferecem garantias e opções
de automação muito sofisticadas, outras possuem programadores
incompetentes e nem ordens de stop implementaram. Explore o máximo as
funcionalidades do site para não ser pego com as calças na mão.

E, para todos vocês que têm dinheiro sobrando e gostam de ver os
outros felizes às suas custas…

Como PERDER dinheiro na Bolsa de Valores e ser alimento de tubarão:

1 - Seja impulsivo.

Impulsivo, no mercado de ações, é outro termo para o
vocábulo “burro”, e significa “aquele que fica pobre para enriquecer
os outros”. Vamos a alguns exemplos de impulsividade:

João Espertalhão, que gosta de acompanhar os tickers, está à procura
de uma boa oportunidade de negócio. Como é amante de pequenos símios,
ele vai sempre à seção “maiores baixas” do seu site preferido e
identifica uma apetitosa opção de subscrição que vence em um mês e
que hoje é campeã em baixa, tendo baixado 50% de ontem para hoje (foi
de R$ 0,02 para R$ 0,01). Ele vem acompanhando os tickers há dias, e
identificou um padrão: a ação um dia aparece nas maiores altas, com
100% de alta; um dia nas maiores baixas, com 50% de baixa, para
repetir o ciclo logo em seguida. O padrão comprovadamente existe e
está ali.

João, que é um grande mestre na arte de ser um completo idiota,
pensa: “O padrão existe. Não há ações negociadas a menos de R$ 0,01,
ou seja, vou comprar milhares destas opções a este preço porque daí
não pode baixar. E se amanhã ou depois subir para R$ 0,02 eu vendo
com 100% de lucro! Na verdade, eu tenho um mês para isso!”. Como o
plano é brilhante e sólido, coloca todas as suas economias na
empreitada.

Resultado: João perderá dinheiro, será motivo de gozação onde for,
arrastará a honra de seus ancestrais na lama e, tomara, condenará
seus filhos a ser lixeiros, e tudo por que foi impulsivo. Na sua
pressa em colocar em ação seu plano brilhante, João deu as costas
para várias possibilidades.

Primeiro, ignorou a liquidez e entrou de sola em um papel com
pouquíssimo volume de negócio. Todos estão desesperados para vender
mas ninguém quer comprar. A maldita opção valoriza 100% porque um
único esperto, que quer se livrar a qualquer custo do papel, compra
uma quantidade irrisória só para fazer o único negócio do pregão
envolvendo o papel ser uma compra de centavos a R$ 0,02 (o que já é o
suficiente para definir o valor de fechamento e fazer a opção
aparecer em destaque nas maiores altas) ou fazer os patos acreditarem
que o padrão, que realmente existe, significa alguma coisa.

Segundo, se deixou seduzir pela promessa de lucro e esqueceu de
estudar as ações principais da companhia, pulando direto nas opções.
Não adianta nada comprar a R$ 0,01 o direito de adquirir no dia 30
ações da empresa XYZ ao preço fixo de R$ 0,30 por ação se tudo indica
que naquele dia a ação estará valendo R$ 0,20 direto no mercado.
Opções atraem impulsivos para a morte, com seus baixos valores e
promessas de lucros fenomenais.

Outro exemplo: Maria Biduzona, que nunca comprou ações, vê no
noticiário que a Petrobrás descobriu um mega-campo de petróleo que
fez suas ações subir 10% e investe no dia seguinte 100 mil reais em
ações da empresa, a 3 reais a ação. No dia seguinte a ação vai a
2,90. No outro dia a ação passa a 2,70.

Maria se desespera, arranca os cabelos e foge com o rabo entre as
pernas vendendo todas as ações que possui e jurando nunca mais
investir em ações, porque é garantia de perder dinheiro, porque a
Bovespa é um plano sinistro dos americanos para tirar dinheiro do
terceiro mundo, porque isto, porque aquilo. Maria fez tudo do avesso:
sua impulsividade a fez entrar no jogo na hora errada e sair em hora
pior ainda.

Se ela tivesse esperado alguns dias para entrar no mercado, não teria
pegado o refluxo da realização dos lucros, que sucede as grandes
altas. Ela quis “aproveitar” o bom momento, surfar a crista da onda,
mas se o bom momento chega a aparecer na TV, é porque já é tarde
demais para ser aproveitado.

Depois, ela vendeu depois de perder 10%, o que é uma perda bastante
aceitável se tivermos em conta que boa parte disso é causada por um
movimento de realização e que as perspectivas são ótimas.

O excesso de esperança leva à impulsividade. O desespero leva à
impulsividade. E a impulsividade leva ao arrependimento e ao ódio,
que levam ao Lado Negro. Isso todo mundo sabe.

2 - Durma até tarde.

Esta é para quem especulador.

A Nikkei abriu antecipando problemas. A Bolsa de Shangai abriu
antecipando problemas. As bolsas européias abriram antecipando
problemas. A Bolsa de Nova York abriu lançando tudo no ventilador. E
você continua dormindo até as 11:30, com um dinheirão no mercado em
ações altamente voláteis totalmente desprotegido aguardando a Bovespa
abrir e aniquilar tudo.

Se você resolveu seguir o Caminho do Especulador (que é, também, um
nobre caminho, apesar do que dizem) deve estar sempre preparado e
nunca descuidar do espírito marcial. Quando as porcarias começam a
acontecer, principalmente se estas porcarias estão acontecendo na
Bolsa de Nova York, você já deveria estar fortificando seu dinheiro
atrás de várias camadas de ordens de stop loss.

Investidores dormem até a hora que quiserem. Especuladores acordam
antes do galo cantar.

3 - Seja miserável e jogue poucas fichas.

No Mato Grosso, onde há muitas piranhas nos rios, os peões que que
precisam levar manadas de uma margem a outra sacrificam um boi (o
chamado “boi de piranha”) para atravessar o restante da boiada em
segurança em uma vez só, enquanto os peixes estão destraídos. Se
atravessassem um por um, todos os bois seriam atacados e eles não
chegariam do outro lado com nenhum.

Moral da história: operar custa dinheiro, cobrado na taxa de
corretagem. O preço da corretagem é progressivamente menor, à medida
em que você opera maiores valores. Se você for um penny operator,
pode até ganhar em 100% das operações, mas vai pagar quase isto em
corretagem. Aproveite que você é tão bom assim, acumule uma quantia
boa, respire fundo e faça movimentos maiores. Seu lucro, deduzido a
corretagem, será maior.

4 - Acredite em milagres.

Se você tem educação e poder aquisitivo o suficiente para operar no
mercado de ações, provavelmente estará livre da influência de
superstições idiotas. Mas, mesmo assim, encontramos no mercado de
ações pessoas que acreditam que Deus, ou o Anjo Gabriel, ou a Fada
dos Dentes, ou o Super-Homem ou os Ursinhos Carinhosos estão a postos
para corrigir injustiças cósmicas e evitar que os bons, no final,
percam dinheiro.

Elas compram uma ação a, digamos, R$ 1,00. A empresa começa a dar
sinais de fraqueza e a ação vai para R$ 0,90. Elas pensam: “Não! Eu
não vou perder dinheiro, seria injustiça demais, porque é o único
dinheiro que eu tenho! Deus vai me ajudar e a ação vai valorizar de
novo!”

A pessoa perde a chance de ouro de se livrar da ação com um prejuízo
de 10%, e no dia seguinte a ação chega a R$ 0,80. A nossa devota
investidora continua a crer em milagres: “Eu sei que se eu quiser
muito muito muito, a ação vai valorizar de novo e eu vou recuperar
tudo! Deus não seria tão cruel comigo!!”

Semana seguinte, Hugo Chavez decide nacionalizar a Colômbia ou
acontece outra porcaria qualquer e a ação vai a R$ 0,40. “Mas eu sei
que é um teste da minha fé! Tudo vai acabar bem, eu sou muito boa e
comportada e ajudo velhinhos e filhotes de gatinhos! Seria muito
injusto perder tudo assim!”

A ação vai até R$ 0,10 e a empresa abre falência. A trouxa da
investidora, que perdeu todas claras as chances que generosamente o
mercado deu a ela de pular fora, só porque não queria admitir ter
perdido R$ 0,10 (e depois R$ 0,20, e depois R$ 0,30…), acabou pobre,
o que é muito bem feito.

As evidências apontam para apenas duas hipóteses: ou deus não existe,
ou ele tem ódio mortal de quem confia nele. E o universo está pouco
se lixando para o que é justo ou injusto, em que você acredita ou
deixa de acreditar, precisa ou deixa de precisar. Nenhuma força
misteriosa vai atrelar as tendências do mercado às suas necessidades
pessoais ou ao conceito de justiça, por mais que em livros do Paulo
Coelho ou em “O Segredo” esteja escrito que o universo é bondoso,
justo, florido e feito de pão-de-ló.

5 - Seja fiel aos seus papéis.

Mais uma lição de especulação.

No mercado de ações você tem que ser um cafajeste com seus papéis. As
ações da empresa Eu Te Amo S/A te fizeram lucrar 5000%, te fizeram
comprar um carro novo, colocaram uma piscina no seu quintal e só
faltaram te trazer café na cama… mas você tem que meter um pé na
bunda das vadias assim que começarem a dar prejuízo.

Não seja sentimental. Não guarde ações que estão encolhendo “porque
te deram muitas alegrias”. Se elas começaram a encolher e você sabe
que isso provavelmente não é passageiro, seja ingrato com tudo o que
elas te fizeram e vá para outra. Troque-as por uma carteira de papéis
bem mais jovem e mais bonita (e, principalmente, que esteja
valorizando) e passe na frente delas feliz da vida, só para humilhá-
las.

Claro que é sempre melhor trocar uma ação em queda por uma em alta,
mas às vezes é meio difícil identificar um bom negócio
(principalmente durante crises econômicas). Nestes casos, é melhor
trocar para outro investimento. Lembre-se que quando as bolsas
desabam o dólar e até o ouro passam a ser uma boa.

É melhor ter ação nenhuma na carteira do que ter uma ação que está
encolhendo. pegue o seu dinheiro de volta e guarde-o embaixo do
colchão, se for o caso.

Fonte:Blog Dúvido

O que torna Warren Buffett tão eficiente nos períodos de crise?

7 de outubro de 2008

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
03/10/08 - 20h43
Fonte: InfoMoney

SÃO PAULO - As frases mais célebres de Warren Buffett assumem simplicidade tamanha que parecem até triviais; são óbvias demais para um investidor com o mínimo de experiência. Mas não adianta criticar. É só o oráculo de Omaha abrir a boca que todos os olhos do mercado se arregalam. Melhor dizendo, todo mundo quer ouvir o que o mega-investidor tem a dizer.

Para provar, basta avaliar os dados iniciais de sua mais nova biografia autorizada. Escrita por Alice Schroeder e intitulada “The Snowball: Warren Buffett and the Business of life” - A bola de neve: Warren Buffett e o negócio da vida, na tradução livre -, a história do bilionário norte-americano chegou ao topo das vendas nos Estados Unidos em poucos dias após sua publicação. Somente o período que sua autora passou com o oráculo lhe rendeu uma maratona de entrevistas às redes de televisão norte-americanas e publicidade extra para seu lançamento.

Exatamente este jeito simples de Buffett que o torna tão interessante para os mercados. Sua história de inegável sucesso o torna gabaritado como ninguém para comentar o desenrolar das Bolsas de Valores, especialmente os períodos de crise. Isso porque grande parte de sua fortuna, estimada em torno de US$ 50 bilhões, se deve exatamente à sua capacidade incomparável de administrar um momento turbulento do mercado.

Para enfrentar a crise
E com uma crise que encontra precedentes históricos no famoso crash de 1929, Buffett voltou às compras. Se a escrita novamente se realizar, seus aportes no banco Goldman Sachs e na gigante industrial General Electric devem render uns bilhõezinhos extras a sua fortuna.

Mas qual o segredo de Buffett na crise? Na verdade são três. Buffett adota três lemas como fundamentais para enfrentar o período de turbulências. Novas frases para uma lista de pensamentos simples, mas memoráveis.

Três mandamentos
Segundo a autora da biografia, a primeira lição trata recurso associado a comportamento: “Cash combined with courage in a crisis is priceless” - dinheiro combinado com coragem, na crise, não tem preço. São os dois fatores essenciais para começar a traçar sua estratégia frente à crise.

Em seguida, Buffett afirma para o investidor: “Dont invest in things you don’t understand” - não invista em coisas que você não entende. Este pensamento remete ao boom das tecnológicas no início da década de 1990. Sem saber a natureza das atividades daquelas empresas, o mega-investidor preferiu fica de fora.

Para finalizar, algo mais filosófico: “Don’t try to catch a falling knife until you have a handle on the risk” - não tente segurar uma faca em queda, a menos que saiba do risco.

Com coragem o suficiente, dinheiro para investir e sabendo aonde vai se meter, um mínimo de cautela não faz mal a ninguém.

- Os três mandamentos para a crise -
“Cash combined with courage in a crisis is priceless” - dinheiro combinado com coragem, na crise, não tem preço

“Dont invest in things you don’t understand” - não invista em coisas que você não entende

“Don’t try to catch a falling knife until you have a handle on the risk” - não tente segurar uma faca em queda, a menos que saiba do risco.

Momento crucial - pânico no mercado

17 de setembro de 2008

Caríssimos,

Apenas quero deixar o registro de que o momento é de teste total do estômago.
As ações estão apetitosas, mas também vale a pena pegar um pouco de EURO11 com seus quase 1% líquidos mensais… só para garantir fôlego para compra de eventuais super-ultra-reforçadas liquidações… que podem chegar…
MInhas últimas compras (novas posições) em ações estão sendo em HBOR3, FHER3, MRSL4, BRSR6 e ELPL6…. mas a lista de opções está grande… Tem outras da carteira small caps que já estou com a quantia adequada.
Aliás, controlar o efeito da amigdala no cérebro fazia tempo que não tínhamos que fazer…
A queda vinha de forma mais homeopática. Desta vez é sem dó. Estão sacudindo a roseira e pelo menos metade dos que entraram nos últimos 2 anos devem desistir do mercado com a certeza “de que não passa de um cassino”.
Quando houver um clamor neste sentido, parece que será o momento da compra forte.
Para quem está disposto a correr menos risco, o ideal é buscar por empresas com forte posição de caixa, como TKNO4, SGAS4, BRIV4…. e boas pagadoras de dividendos, como COCE5 e CEPE5…
Abraços,
Small caps - Anderson.
http://br.advfn.com/p.php?pid=blogbr&blog=small_caps

Pânico a uns, oportunidade a outros: reação à crise separa grande e pequeno investidor

16 de julho de 2008

Pânico a uns, oportunidade a outros: reação à crise separa grande e pequeno investidor

SÃO PAULO - O movimento recente dos mercados evidencia diferenças inegáveis entre o pequeno e o grande investidor. O ciclo negativo que tomou conta das bolsas a partir do começo de junho não deixou marcas apenas sobre os índices acionários, mas afetou profundamente o comportamento de todos os ‘atores’ de um mercado, sejam eles coadjuvantes ou protagonistas.

Para facilitar o entendimento, basta analisar o volume de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo. Do começo da derrocada até a breve retomada da quinta-feira (10), é evidente a redução na média diária movimentada pela bolsa paulista. Os investidores estrangeiros fogem para cobrir suas perdas lá fora, enquanto a amplitude dos riscos e o capital limitado interferem na atuação do pequeno investidor doméstico.

Mas as maiores histórias de sucesso na bolsa vem exatamente destes momentos. É na capacidade de administração da crise que as fortunas começam e os famosos ‘mega-investidores’ se consagram. Lembra a máxima: comprar na baixa e vender na alta.

Destas considerações pode-se afirmar que o período de pânico para alguns é de oportunidades para outros. Mas com certeza, é do lado do pânico que fica a grande maioria. Como o pequeno investidor, que manteve posições ao longo desta derrocada e viu suas aplicações “derreterem” na espera pela recuperação, vai se beneficiar da crise?

Pânico para uns… Antes de tentar responder o que é praticamente irrespondível, vale destacar o movimento da quinta-feira. A sessão ilustra muito bem este retrato, e ainda levanta outras verdades.

Um movimento de quedas consecutivas é o ponto ideal para se entrar no mercado, mas ainda assim fica muito difícil de avaliar a hora certa de montar posições, exatamente porque falamos de um momento de incertezas. Caiu bastante, mas pode cair ainda mais.

Entre este impasse, o volume de negócios vai sendo penalizado, a liquidez diminuindo, a baixa ganhando força e o risco a cada dia fica maior. Warren Buffett ficou tão conhecido por isso. O mega-investidor norte-americano é especialista nos momentos de incerteza; aproveita como ninguém uma tendência de baixa dos mercados.

…oportunidade para outros

Com os índices de Wall Street beirando o “Bear Market”, Buffett entrou em cena e mostrou que a despeito do pequeno investidor, os grandes da bolsa trabalham mais nos piores momentos.

Em um mercado morno e novamente em tendência declinante, o mega-investidor ajudou, através de sua holding Berkshire Hathaway, na aquisição da petroquímica Rohm & Haas pela Dow Chemical, com ágio de mais de 70% sobre a cotação anterior das ações.

A notícia deu fôlego extra e ajudou em grande parte o fechamento positivo dos índices acionários. Não que esta medida aponte que chegou o momento exato de ‘entrar’ no mercado, mas deixa claro que Buffett acredita na recuperação; e ele não costuma errar.

Lembrando as lições básicas

Mas isto não soluciona o problema do pequeno investidor ou responde a questão deixada em aberto. Como garimpar oportunidades se seus recursos foram deteriorados pela derrocada recente?

O que resta para o pequeno investidor são as lições deixadas pela bolsa neste episódio. Além da aposta certeira, apontada depois de muito embasamento teórico e busca de informações, a dinâmica dos mercados exige grande atenção com o “timing” das operações.

A utilização da ferramenta de stop loss pode ser crucial neste momento, pois pode evitar todo o “derretimento” do capital e limitação dos recursos citados anteriormente. Além do stop, atenção às informações diárias e conhecimento do risco da renda variável são passos de iniciante muitas vezes esquecidos diante de uma oportunidade irrecusável, ou aparentemente irrecusável, oferecida pela Bolsa.

Cordialmente,

Fonte: Spinelli S/A CVMC

Fator sugere dezesseis small caps com boas chances de valorização para julho

10 de julho de 2008

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SÃO PAULO - A Fator Corretora divulgou sua carteira recomendada de small caps para julho, relacionando boas oportunidades de investimento entre papéis por vezes fora do foco do mercado.

As dezesseis sugestões têm como alvo empresas que não estão entre as maiores da bolsa brasileira, mas que representam alternativas interessantes e cujos papéis possuem atrativos potenciais de valorização.

Neste sentido, os ativos da Inpar aparecem com o maior upside estimado pela instituição, seguidodas ações de Eternit e UOL.

Recomendações para julho:
Empresa Código Participação Preço-alvo* Upside**
Localiza RENT3 8%             R$ 25,86 54,38%
OHL Brasil OHLB3 8%         R$ 42,30 65,88%
Log-In LOGN3 8%             R$ 22,00 89,49%
Contax CTAX4 7%             R$ 74,00 74,11%
UOL UOLL4 7%                 R$ 17,76 109,18%
Kroton KROT11 6%             R$ 47,09 52,39%
Datasul DSUL3 6%             R$ 37,04 76,54%
IdeiasNet IDNT3 6%             R$ 12,95 105,55%
Indústrias Romi ROMI3 6%     R$ 29,10 99,31%
Randon RAPT4 6%             R$ 25,60 76,55%
Totvs TOTS3 6%                 R$ 77,06 51,09%
DASA DASA3 6%                R$ 52,14 27,79%
Banco Daycoval DAYC4 5% Em revisão Em revisão
Banco Sofisa SFSA4 5%     Em revisão Em revisão
Inpar INPR3 5%                 R$ 34,59 401,31%
Eternit ETER3 5%             R$ 12,80 112,97%

* Preço-alvo para dezembro de 2008
** Potencial de valorização com base na cotação de fechamento de 08/06/2008

HTML clipboardPor: Equipe InfoMoney